domingo, 3 de maio de 2009

ABRE A JANELA



Vai, abre a janela. Deixa entrar o sol.
E a vida.
Claro, há sempre o risco de encontrar sombra. E, quem sabe, chuva.
Mas, se for assim, importa? O dia é feito do dia e da noite, do sorriso e da lágrima, da angústia e da felicidade.
Está em cada um de nós valorar adequadamente as coisas. É uma questão de optar. Se o bom momento dura menos do que o mau, é mister ser vivido com mais intensidade. Tenhamos presente: se o feio não existisse, a beleza passaria desapercebida. Ninguém saberia o quanto vale o amor, se não corresse o risco de experimentar a solidão.
Vai, deixa entrar o sol.
Pensa - enquanto há tempo porque estás vivo - que se a janela não for aberta, restará a mesmice do homem ilhado em suas perplexidades. Repartir é essencial. O sol brilha para todos, salvo para quem vive encerrado pensando que Deus curte amarguras quando, na verdade, fazendo as pessoas à sua imagem e semelhança, plantou felicidade e alegria. Vai, abre a janela.
E abençoa a chuva se estiver caindo. A terra ficará fértil. O ciclo da evolução estará garantido. E, se te assustar o vento que pode passar, reflete, ele também é vital ao equilíbrio do universo. Não tenhas receio sequer da tormenta. Será o ponto de referência para que saúdes a bonança e te sintas otimista e agradecido com a chance de sorrir. Nem todos têm.
Vai, deixa entrar o sol. E a vida. Eu te asseguro: é possível ser feliz. Nós, porém, observa, temos medo disso. Parece que a nossa alegria pode arranhar a desgraça dos outros. E nos culpamos de nem todos terem a mesma sorte. Sim, é verdade. Essa aparente desarmonia tem razão de ser. Um dia ajudamos, outro somos ajudados. Inobstante, para dar ou receber a mão, é imprescindível abrir a janela, pedir auxílio ou anunciar a disposição de querer ser útil ou emprestar energias.
Vai, hoje é domingo. Quando escrevo, na sala fechada, não sei de vento, de chuva, de sol. Pressinto, porém, alegria. Advinho o melhor. Porque tenho vontade de empurrar as pessoas para a frente, provar a elas que é sadio ter a visão do bom. Tenho pressa de sair à rua, andar despreocupadamente, permitir que a vida entre em meus poros e se derrame no riso da criança, na ingenuidade dos sãos de espírito, na ternura dos afetos, na tolerância dos velhos, no ímpeto dos moços, na ânsia de doação dos amantes, no milagre da fé.
Há um templo em nosso interior. Ah! Se soubéssemos rezar no altar que Deus construiu em cada um de nós, acharíamos a chave da felicidade. Sim, é dando que recebemos. Porém, pergunto, dar como, se nada possuímos?
Vai, abre a janela. Aposta no sol.
Porque, se não abrires, será a escuridão, o oposto da vida. E nós queremos viver, não é mesmo? Então, vamos lá?
Mendes Ribeiro

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